Moldura

Diferente é uma palavra que está dando medo. Está todo mundo buscando por isso, mas parece que não na diversidade, apenas no objetivo de chegar ao diferente, que no fundo é um amplo espaço de iguais.

Eu me sinto diferente, o que pode ser lido como “me sinto menos louca, mais igual”. É bom assim, adaptar…adaptar…mas é ruim pra quem eu era antes, ela está perdendo um modelo.

Mas será que era bom ela ter um modelo? Foi sofrido, mas ela gostou de se adaptar um pouco afinal…é sociedade né…as pecinhas de quebra-cabeça tem que se encaixar pelo menos um pouco, até o antro dos loucos tem o limite da moldura.

 

 

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Existência – lista

Foi minha decisão 1.ter mantido minha inocência 2.ter falado demais desde muito cedo 3.ter quase comido uma barata 4.ser teimosa 5.perguntar sobre absolutamente tudo 6.desenhar bonecas sem braços 7.empurrar uma cadeira com uma menina junto 8.sentir muita culpa por quase tudo 9.nunca usar os 5 graus de óculos e passar a odiar esportes por não enxergar a bola 10.ser desafiadora e não ouvir ninguém 11.sorrir 12.pensar em suicídio 13.trocar almoço e jantar por chocolate e engordar demais 14.achar que números em provas definem quem você é 15.fingir que já tinha beijado e ter que dar o beijo mais gosmento em um menino que não conhecia 16.trocar meus valores em formação por uma paixão que só aconteceu na minha cabeça 17. entrar na faculdade mas passar a maior parte do tempo no bar 18.aproveitar a maioridade pra ir em um lugar que meus pais não aprovavam: um psiquiatra 19.ter vivido um amor dos sonhos até virar pesadelo 20.botar a mala e morar 6 meses na Finlândia sem ter um pingo de medo 21.perceber que a realidade dá mais medo que a fantasia 22.criar um milhão de valores tortos que fazem sentido pra mim 23.perceber que tudo vai passar então, se não der certo, vão ter outros lugares pra errar 24.me tornar um pouco responsável e metódica 25.estar aqui.

Dualidade

Acho que nunca vou me acostumar com a ideia de nunca mais te ver, nunca mais falar com você. O que a gente viveu foi lindo, intenso e também muito difícil. Eu não quero te ter de volta, nem concordo com essa possessividade tão humana. Mas fico triste, tristíssima, que você enxergue em preto e branco, ache que eu não mereço uma resposta, me trate como louca. Isso é o que machuca mais. Posso ser maluca, em diversas visões, mas você já não sabia desde os começos? Talvez seja isso que me impeça de confiar em mais alguém dessa forma. Eu ainda te admiro, embora te ache um covarde…queria que você tivesse, assim como eu, uma visão mais dúbia

Quem topa votar a minha vida?

Preciso saber quando estou sendo realista e quando sou pessimista. Estou triste por algo que é plausível as pessoas ficarem, ou não deveria, porque não faz parte da convenção social? Quantas vezes por ano as pessoas suportam que você diga realmente o que sente em relação ao mundo, e principalmente em relação a elas?

Onde estão todas essas regras que parecem óbvias, mas que eu não li antes de nascer?

Onde eu estou agora? Estou onde eu sempre estive, assistindo séries, estudando, eventualmente comendo pouco e mal pra caralho e dizendo que é dieta, ouvindo musica, planejando mil coisas que provavelmente não vão nem ser escritas num papel.

Era tudo bem eu ser assim uns anos atras, só estar vivendo e seila. Agora não é, agora tem que ser sério, e eu não acompanhei essa mudança, tá difícil de acompanhar…enfim, com um elefante em minhas costas, um celular a menos e uma pneumonia a mais, eu tento entender as milhões de razões pelas quais eu estou onde estou e não onde acham que eu deveria estar.

Nunca gostei mesmo de correr, ou da corrida, e nunca vi sentido em competir, mas será que aos 30 eu vou estar num lugar que essa sociedade faça eu me orgulhar de estar?? Tomara…mas também, porque 30? porque meus 23? Números idiotas.

Poucas coisas fazem sentido, mas poucas já são mais do que eu tinha antes desses 23.

Sucesso infelizmente não é evolução, é chegada, e eu ainda não to na chegada, ainda não to pronta pra estar.

 

 

 

Egito

No Egito eu era esfinge, contemplativa, olhava pras pirâmides e para tudo que o homem construiu e via que o mundo era tão maior que qualquer problema que eu já tinha vivido. Lá eu comprava comida todo dia (meu sonho de consumo), passeava, dormia o quanto eu queria, morava com mil meninas que nunca me deixavam ficar mal.

Eu também era descoberta, um livro aberto. Quebrava preconceitos todos os dias e passei a conhecer a fundo uma cultura tão diferente. Eu via minha realidade na perspectiva de um avião, tão de longe. Simplesmente muda você!

Na volta, eu percebi que as vezes muito do que você aprende em um lugar tão rico se perde na realidade confusa, nos problemas antigos. Daí a gente tem que se esforçar pra lembrar do que pensou lá do avião, lembrar das resoluções. É ai que me encontro, tentando transpor realidades, querendo vivenciar um pouco do que vivi e pensei lá, por aqui. E é difícil, mas bora!

Superando essa antiga brasileira e tentando criar uma mulher mais completa e que vê além.

 

Deixe escorrer ou corra.

E-mails, planos, esperas.

Eu queria tanto que desse certo. Juro que as vezes até rezo, mesmo sem acreditar.

Mas parece que tá tudo fadado ao insucesso,

Talvez porque eu repita isso incessantemente na minha cabeça.

 

Hoje eu sei o que eu quero,

Quero fazer muito,

Usar minha criatividade,

Ser útil, ajudar

Passar uma mensagem,

Viver o que eu sonho, o que eu prego,

Se não der, posso continuar a ver a vida escorrendo pela pele

Se não der pra correr comigo, correr de mim.

#nãoconsigoletitgo

 

Talvez eu não deva me arrepender de nada.  Eu sempre soube que você iria embora, e você sempre ia. Eu só tomei comprimidos pra ver se você sentia a minha dor quando isso acontecia. Se eu não tivesse feito isso, você ia continuar indo e voltando da minha vida, tornando o meu sofrimento eterno e vivendo na sua paz. Pelo menos assim, você sabe o quanto eu tava sofrendo. Soube apenas comigo chorando, implorando, murmurando. Você nunca foi capaz de enxergar minha tristeza nos meus olhos secos.

Border

Nós somos assim

Temos essa ligação com a morte

Que na verdade existe pela vontade extrema de viver

Viver de tudo

Experienciar, sem medo

 

E quando sentimos que não temos o que queríamos

Que não temos amor

Vem uma dor

E ela invade tudo

Porque nosso sentido de vida é o carinho

Carinho esse que escapa pelos nossos dedos

Como escapa todo o resto

A vida é volátil demais, nós somos voláteis demais.

Besta

Eu sinto que não foi um fim

Assim como não termina a vida

Não termina a nossa vida

 

Talvez eu esteja exagerando

Vivendo num conto de fadas inexistente

Te perdoando pelo imperdoável

 

Mas mesmo você me deixando quando mais precisei

Ainda te quero quando você precisar

Te espero ao dormir e acordar

 

Talvez eu seja besta

Talvez isso seja amar